Tocar em baladas deixou de ser hobby e hoje virou profissão com curso de formação e cachês mais altos
A música é a essência de qualquer festa e define se a pista vai bombar ou se a galera vai embora cedo. Nada mais justo, então, que o crédito seja dado ao responsável pela escolha do line-up: o DJ (disk jockey). O profissional observa a pista de uma posição privilegiada, sente a energia do público e toca de acordo com este feeling.
A profissão está em alta, principalmente entre os jovens que vêem nesse mercado uma oportunidade de misturar diversão, música, vida noturna e trabalho com cachês polpudos. “O DJ vende entrada”, diz Diego Logic. Segundo ele, o público vai às festas atrás dos profissionais, diferente do que acontecia antes. “Hoje os DJs fazem o evento ficar cheio ou
não”, afirma.
Logic é dono de uma escola de DJ fundada há 10 anos. O negócio teve início na The Club, casa noturna onde trabalhava. “Comecei a dar aulas e como tive muita procura, resolvi abrir a escola”, relata. A instituição tem hoje cem alunos, a maioria entre 20 e 30 anos.
Nas aulas, eles aprendem montagem dos equipamentos, funções de cada aparelho, efeitos sonoros, equalização, mixagem e até o tal do “feeling musical”. “É como se fosse uma aula de psicologia, eles aprendem a sentir o que a pista está pedindo”, explica Logic. O curso dura 30 horas e o “teste final” é uma apresentação em uma balada, mas acompanhado de um instrutor.
Quem busca uma relação mais próxima com o equipamento, pode optar também pelos cursos individuais. Segundo a diretora executiva da escola E-djs, Lisa Bueno, nesses casos o treinamento é mais personalizado. “Percebi que os alunos não tinham equipamentos para treinar o que era passado na teoria”, relata.
Em média, os cursos podem custar de R$ 800 a R$1200 (preços cotados em abril/2011) e um equipamento simples, com
computador e controlador, chega a R$ 1.000.
Cachês
Com a profissionalização dos equipamentos e dos DJs, os cachês subiram. De acordo com Logic, um iniciante formado e com equipamento próprio pode cobrar R$ 500 por apresentação. “Os tops chegam a faturar R$ 30 mil por show”, relata.
Mas a realidade também não é assim tão polpuda. Há relatos de quem, para começar, tenha aceitado tocar de graça e conseguir que uma casa noturna libere suas pick-ups para quem está começando não é muito simples.
Além disso, o trabalho não se resume apenas ao momento da festa. Durante o dia, é preciso criar músicas diferentes, modificar batidas e atualizar o repertório. “A apresentação dura algumas horas, mas no restante do tempo temos que criar músicas e trabalhar nelas”, explica DJ Vince.
Já consolidado na música eletrônica, Vince acredita que vale a pena apostar nesse novo nicho. Formado em 2005, quando tinha 28 anos, largou a Lan House onde trabalhava pelo sonho de trabalhar com música. Hoje, seis anos depois, é residente em várias festas, raves e casas noturnas paulistas entre elas Clash, Spirit of London e Pacha.
Gustavo Muniiz, de 15 anos, ainda está iniciando a carreira e acredita no potencial da profissão. Ele toca em matinês de Juquitiba, onde mora, Campinas e São Paulo. “Comecei junto com um amigo por curiosidade e hoje apresento Dutch house”, contou Muniiz. O estudante do 2º ano do colégio quer seguir essa profissão. “Por enquanto ainda não consigo viver como DJ, ganho mais ou menos R$ 500 por apresentação”, revela.
Nas redes sociais
O projeto teve inicio há seis meses e parece ter agradado. “Quase 400 pessoas visitam a festa por noite”. Segundo ele, o acesso cresce a cada edição e a maioria são pessoas que os dois não conhecem. Para participar basta acompanhar a programação pelo @gustavomuniiz.Além das matinês, Muniiz promove um novo tipo de balada semanal via twitter, a Twitbalada. “Eu e um amigo ligamos a webcam, colocamos as luzes em um espaço da minha casa e tocamos”, explica.